Produção de mudas de bananeira para plantação direta

Sumário

Foi adaptado pela Fundación Hondureña de Investigación Agrícola (FHIA) e é aplicável nos locais onde as bananeiras são cultivadas. Tradicionalmente, o produtor de banana planta novas áreas com brotos (rebentos da base da planta mãe) obtidos de plantações destinadas à produção de fruta. Esta prática enfraquece as plantas mãe e reduz a produtividade. A multiplicação rápida consiste no rebentamento acelerado de brotos das socas das bananeiras (plantas mãe) e no rápido desenvolvimento de bananeiras jovens, bloqueando a dominância apical das plantas mãe.

Descrição

Introdução

Uma limitação para renovar ou ampliar a área de produção de banana é a falta de mudas disponíveis (brotos) para serem plantadas.

Tradicionalmente, as mudas são obtidas a partir de plantações de bananeiras destinadas à produção comercial do fruto. No entanto, recomenda-se que tal seja feito com cautela, uma vez que o corte contínuo de brotos nas áreas de produção reduz consideravelmente a produtividade. No entanto, se os produtores optarem por se abastecer com mudas provenientes da sua própria exploração comercial, recomenda-se que os brotos provenham de plantas mãe com características específicas e favoráveis, de acordo com o seu genótipo, nomeadamente de cacho bem formado e de bom tamanho, bom porte e livre de danos causados ​​por pragas e doenças.

O potencial produtivo dos brotos das musáceas é muito alto, equivalendo ao número de folhas (38 a 42) emitidas durante o ciclo produtivo. Entretanto, são utilizados um máximo de 5 a 10 brotos por planta em cada ciclo de produção, representando 25% do potencial de produção de brotos. Por esta razão, para aproveitar este potencial produtivos de forma eficiente, foram desenvolvidas diversas metodologias para induzir o rebentamento de brotos e/ou acelerar o seu desenvolvimento.

Todas as metodologias produzem excelentes resultados. No entanto, a presente prática apenas descreve a metodologia de indução de brotação, eliminando a dominância apical, por ser considerada a mais simples e de fácil adoção pelos pequenos e médios produtores de banana.

Multiplicação vegetativa de material vegetativo

Para o processo de multiplicação de material genético em larga escala existem várias metodologias, de entre as quais estão a multiplicação "in vitro", a exposição e corte de brotos, a rápida propagação de plantas a partir de brotos plantados em casa de sombra e indução de brotação eliminando a dominância apical.

Esta última metodologia, a indução de brotação, consiste na eliminação da dominância apical, pelo que é considerada como a técnica mais simples e de fácil adoção pelo produtor para a multiplicação de mudas em larga escala. Com a quebra da dominância apical, é possível produzir uma média 5-10 brotos por planta mãe (soca), num período de 8-9 meses. Isso equivale a produzir entre 33 330 e 66 660 propágulos por hectare.

Para alcançar a maior eficiência possível na aplicação desta metodologia, recomenda-se a execução cuidadosa das seguintes atividades.

Estabelecimento do campo de multiplicação de brotos

É aconselhável que o material inicial de plantação esteja livre de nematodes, broca da bananeira, moko da bananeira, podridão mole (murcha de Erwinia) e vírus, que são as principais pragas e doenças desta cultura. Todo o material de plantação deve ser limpo e removidos todos os vestígios de raízes e terra. Para protege-lo dos ataques de pragas e/ou danos por podridão no novo local de plantação, os brotos devem ser desinfestados com água quente, a 55 ° C, durante 20 minutos ou, quimicamente, com aplicação de VYDATE 24L, à proporção de 13 ml por cada 10 L de água, e Agrimycin, à proporção de 3 g por L de água (Figura 1). A aplicação desta mistura, recomendando-se o uso de um pulverizador de costas, deverá ser feita diretamente no broto, quando este é colocado dentro da cova de plantação e antes de a cobrir com a terra.

Antes da plantação, a área deve ser mobilizada (sachada), se possível, mecanicamente. É importante que campo de multiplicação esteja localizado perto da área onde será instalada a futura plantação e que o solo seja, preferencialmente, franco e bem drenado.

 

Figura 1: Desinfestação dos brotos com água quente (esquerda) e com um produto químico (direito).

Sistema de produção

O sistema de produção do campo de multiplicação de mudas é o mesmo do de uma parcela em exploração comercial, quando se trata de desfolha, controlo de infestantes, rega e drenagem.

Para tal, devem ser realizadas as seguintes as atividades:

Plantação

 

A plantação pode ser feita em duas linhas, usando um espaçamento de 3 m do centro ao centro da linha dupla, 1,20 m na entrelinha e 1 m na linha, obtendo-se uma densidade de plantação de 6 666 plantas por hectare (Figura 2).

 

Figura 2: plantação de um campo de multiplicação de brotos de bananeira usando duas linhas.

Fertilização

Para promover o crescimento dos brotos, a fertilização deve ser preferencialmente feita um mês após a plantação, uma vez que a soca já desenvolveu raízes, o que facilitam a absorção dos nutrientes. O azoto e outras fontes de nutrientes podem ser aplicados de acordo com as recomendações do laboratório de solos, após a respetiva análise.

A quebra da dominância apical

Para quebrar a dominância apical e a indução do desenvolvimento acelerado dos brotos, as plantas são selecionadas aos 6 a 7 meses após a plantação, uma vez que, nesta idade, a diferenciação floral já ocorreu e, ao mesmo tempo, já há um intenso rebentamento de brotos laterais. A dominância apical é quebrada ao cortar ou podar o pseudocaule da planta mãe ao nível do solo.

 

Figura 3: Seleção de plantas com características ideais para a poda e quebra da dominância apical (esquerda). Planta podada ao nível do solo (direita).

Colheita dos brotos (ou propágulos)

A colheita pode ser feita com o destaque / arranque de todos os brotos emitidos pela planta mãe, sendo que o broto mais desenvolvido pode ser deixado para continuar a produção de propágulos, sem que haja necessidade de nova plantação.

Limpeza e desinfeção dos brotos

 

A limpeza dos brotos é feita com auxílio de uma catana/machete para remover as raízes e o solo (Figura 6). É importante fazer a desinfeção de todos os brotos colhidos, para isso recomenda-se a aplicação do mesmo tratamento indicado para a plantação do campo de multiplicação de mudas.

 

Figura 4: Limpeza dos brotos com uma catana/machete.

Plantação dos brotos

 

Os brotos de grande dimensão (mais de 500 g de peso) podem ser diretamente plantados no campo onde será estabelecida a nova plantação de bananeiras (Figura 5). Por outro lado, os brotos mais pequenos passam por um processo diferente, ou seja, são plantados em sacos de plástico e, após o desenvolvimento de uma planta completa, são levadas para a sua localização definitiva (Figura 6).

 

Figura 5: Broto adequado para a plantação direta no campo. A parte superior do propágulo deve ficar nivelada com o terreno.

 

Figura 6: Broto adequado para ser plantado num saco de plástico ou em cama de enraizamento.

  1. Uso de cama de enraizamento

O uso destas camas dá bons resultados porque estimula o enraizamento e o desenvolvimento dos propágulos. Para além disso, são evitadas perdas de sacos e de substrato, uma vez que, mesmo com as melhores condições de produção de propágulos, estima-se que 10% não germinam.

A cama de enraizamento é construída com areia e serradura, na proporção de 1:1. Estes materiais permitem um fácil manuseamento e a colheita dos propágulos sem quebra de raízes.

A cama de enraizamento deverá ter de 1 a 1,2 m de largura, 30 cm de altura e o comprimento dependerá da quantidade de brotos plantados (Figura 7). Estima-se que podem ser plantados 120-150 brotos por metro quadrado. A cama de enraizamento não necessita de sombra, mas sim de um bom suprimento de água. O substrato deve ser mantido húmido, mas não saturado.

 

Os propágulos devem permanecer nas camas de enraizamento durante duas semanas e, antes de começarem a emitir folhas verdadeiras, devem ser cuidadosamente removidos e colocados em sacos de plásticos (Figura 8).

 

Figura 7: Esquema de uma cama de enraizamento e a forma como colocar os brotos (em forma contínua e, em seguida, totalmente coberto com uma camada de 3 cm de substrato).

 

Figura 8: Processo de agitação do propágulo para remover a areia das raízes e posterior plantação em sacos de plástico, cobrindo-os com substrato e deixando apenas os rebentos apicais a descoberto.

  1. Plantação em sacos de plástico

Neste caso, os pequenos brotos, após limpeza e desinfestação, são plantados em sacos plásticos. Para a desinfestação, pode ser utilizada uma solução de Vydate 24 l (13 ml / 10 L de água) e Agromicyn (3 g / L de água), na qual é feita uma curta imersão de 2-5 minutos. Se o material de plantação estiver bastante saudável, a desinfeção é feita depois da plantação em saco. Para estes casos, a desinfeção deverá ser feita às 2 e às 7 semanas após a plantação, com a mesma solução descrita acima e com uma dosagem de 50 ml por planta.

O tipo de substrato utilizado depende da sua disponibilidade no local, mas é necessário que seja friável e rico em matéria orgânica. A FHIA tem utilizado, com bastante sucesso, uma mistura de terra com casca de arroz, à proporção de 3:1, colocando-a em sacos de 20 x 22,5 cm.

Estabelecimento do viveiro

O viveiro pode ser feito com 50% de sombra ou completamente exposto ao sol.

Os sacos devem ser distribuídos em linhas, formando blocos de plantas com o mesmo tamanho. O bloco deve ter quatro sacos de largura, deixando uma pequena passagem (com 40 a 50 cm de largura) entre blocos, para facilitar as operações culturais.

Para garantir uma boa sincronização do crescimento no campo, é necessário fazer a cuidada classificação das plantas por tamanho (Figura 9). Esta classificação deve ser feita ao plantar os brotos (enraizados ou não) nos sacos e quando as plantas estão prontas para ir para o campo (mudas).

A fertilização é feita semanalmente, com aplicação de Nutrex na folhagem, à proporção de 5 g / L de água, por exemplo.

 

Estima-se que ao fim de 6 e 8 semanas após a plantação em saco, as já mudas estarão prontas para serem plantadas no local definitivo. Este período deverá permitir que as plantas desenvolvam dois pares de folhas e atinjam os 30 cm de altura (Figura 10).

 

Figura 9: Distribuição dos sacos (esquerda); mudas classificadas por tamanho (à direita) e prontas para serem transportadas do viveiro para o campo.

 

Figura 10: Muda com o tamanho certo e dois pares de folhas para plantação (A) e plantação da muda no local definitivo (B e C).

This technology has been translated by Mr. Adriano Silva from Instituto Superior de Agronomia, University of Lisbon, Lisbon, Portugal.

Validação da prática

This technology contributes to the SDGs:

Categoria

Países

Honduras

Data de criação

qui, 15/02/2018 - 12:13

Fonte

FUNDACIÓN HONDUREÑA DE INVESTIGACIÓN AGRÍCOLA

Con el propósito de fortalecer el proceso de generación, validación y transferencia de tecnología para el sector agrícola nacional, así como para diversificar la producción agrícola destinada a los mercados interno y externo, un entusiasta grupo de representantes de instituciones públicas y privadas, así como destacadas personas naturales vinculadas al agro hondureño, decidieron crear la FHIA a partir del 15 de mayo de 1984, como una empresa privada, apolítica y sin ánimo de lucro, con la sede central en La Lima, Cortés, Honduras, C.A.

 

Para el eficiente cumplimiento de sus funciones de investigación la FHIA cuenta con cuatro centros experimentales y demostrativos ubicados en importantes zonas agrícolas del país. Adicionalmente, ejecuta proyectos de asistencia técnica que promueven la implementación de buenas prácticas agrícolas en la producción de cultivos anuales y perennes, con enfoque de sostenibilidad para conservar los recursos naturales, optimizar los rendimientos y generar mejores ingresos económicos a las familias beneficiarias.

 

La FHIA desarrolla proyectos de investigación agrícola, proyectos de asistencia técnica, presta servicios de laboratorios de análisis de suelos, tejidos foliares, fertilizantes, alimentos concentrados, aguas, determinación de residuos de plaguicidas organoclorados y organofosforados y diagnóstico de problemas fitosanitarios. También proporciona servicios de capacitación para atender necesidades específicas, genera y publica documentos técnicos, obtiene y brinda información de precios de productos agrícolas de Honduras y de otros países.

 

De esta manera, la FHIA continúa apoyando la modernización de la agricultura de Honduras y de otros países, generando innovaciones tecnológicas y proporcionando servicios de asistencia técnica de calidad.

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