Gestão da Sigatoka Negra (Mycosphaerella fijiensis Morelet) nas plantações de bananeiras

Sumário

Na República Dominicana a ocorrência de chuvas de elevada intensidade e de inundações é frequente no período dos furações, causam estragos significativos nos sistemas de produção de banana. De entre estes, pode destacar-se o aumento da incidência de doenças como a Sigatoka negra. Esta doença causa a necrose e morte acelerada das folhas, induzindo a maturação prematura, a redução do calibre do fruto e do peso do cacho, causando uma diminuição significativa no volume de produção. Esta situação necessita de uma gestão integrada, funcional e de baixo custo, que inclui práticas culturais destinadas à mitigação das condições favoráveis para o estabelecimento e desenvolvimento da doença, ao aumento do vigor da planta e eliminação de fontes de inóculo dentro da plantação.

Descrição

Introdução

Na República Dominicana, as principais variedades de banana produzidas para fins comerciais são suscetíveis à Sigatoka negra. Esta é considerada como uma das principais doenças que afetam a produção de banana na maioria dos países onde a presença e disseminação desta doença foi relatada. Trata-se de um fungo que ataca o sistema foliar da bananeira, afetando significativamente a produtividade e a qualidade da fruta e causando perdas de produção que podem oscilar entre os 20% e os 50% (Figura 1). Em cultivares suscetíveis e na ausência de medidas de controlo, os ataques muito severos podem causar perdas que chegam a atingir os 80%.

 

Figura 1: Folha afetada por Sigatoka negra (vista posterior).

Contexto

Nos últimos anos, a pressão da doença aumentou significativamente na República Dominicana. Atualmente, a ocorrência de Sigatoka negra causa um impacto muito grave na maioria das áreas de produção de banana. Se as condições climáticas forem favoráveis ​​ao desenvolvimento da doença, como após a ocorrência de chuvadas intensas (típicas do período de furacões), o ataque é muito intenso, o que ameaça a sustentabilidade dos sistemas de produção de áreas como Barahona e Bahoruco.

Existem fungicidas muito eficazes para o seu controlo. No entanto, o fungo conseguiu desenvolver resistência à maioria destes, o que dificulta progressivamente a gestão do problema que, por sua vez, acentua a necessidade da prática de uma gestão mais integrada e da redução da dependência do combate químico. A gestão integrada da Sigatoka negra é uma prática sustentável para combater o fungo, combinando métodos químicos, culturais, físicos e biológicos que minimizam os riscos económicos, fitossanitários e ambientais. As práticas culturais visam reduzir as condições favoráveis ​​para o estabelecimento e desenvolvimento do fungo, promovendo o aumento do vigor da planta, estabelecendo barreiras físicas e/ou eliminando fontes de inóculo no interior da plantação.

Algumas das práticas culturais utilizadas num programa integrado de gestão de doenças são: o uso de variedades resistentes; remoção de folhas afetadas ou porções delas; aplicação de ureia e de dessecantes para acelerar a sua decomposição, bem como a rápida eliminação das plantas colhidas. Para além destas práticas, existem outras componentes da gestão cultural que ajudam a reduzir condições favoráveis para o desenvolvimento de Sigatoka negra ​​(humidade) e para aumentar o vigor das plantas, nomeadamente: a gestão da densidade de plantação, desidratação, sistemas de drenagem, regadio, controlo de infestantes e fertilização equilibrada. Existe também um programa de uso atempado e variado de fungicidas permitidos, aplicado de acordo com uma monitorização semanal da doença (sistema de pré-aviso) e das condições climáticas atualizadas. Com este sistema de gestão, procura-se que as plantas produzam com tantas folhas funcionais quanto possível.

Aplicação da tecnologia

Para reduzir os efeitos negativos sobre a produtividade, a qualidade dos frutos, o tempo de vida útil de plantação e a sustentabilidade do sistema de produção, após as elevadas pluviometrias da estação de furações, é necessária uma gestão integrada, funcional e de baixo custo de Sigatoka negra, que inclui as seguintes práticas:

Desfolha sanitária

 

Esta prática consiste na eliminação das porções de folha danificadas (com necrose) pelo fungo. A desfolha baseada na eliminação parcial (desponta e cirurgia) ou total de folhas necróticas é uma prática muito eficaz na redução do inóculo. Esta prática é realizada semanalmente ou quinzenalmente, dependendo dos níveis de infeção e das condições climáticas na altura. As folhas ou porções de folhas removidas podem ser picadas e enterradas para se decomporem e, assim, reduzir significativamente a eficiência de emissão de ascosporos.

 

Figura 2: Prática desfolha parcial: desponta e cirurgia.

Aplicação de fungicidas

A pulverização com fungicidas permitidos, de acordo com o sistema de produção (orgânico ou convencional), é a principal ferramenta de controlo desta doença. As aplicações serão feitas de acordo com a monitorização semanal da doença (sistema de pré-aviso biológico) e as condições climáticas na altura. Esta técnica baseia-se na análise de descritores biológicos, que permitem antecipar a evolução da doença e, desta forma, aplicar os fungicidas no início do desenvolvimento da infeção, ou seja, antes da ocorrência.

Gestão da densidade de plantação

Esta prática consiste em manter o número ótimo de unidades de produção, definidas antes da plantação e periodicamente contadas. As práticas de controlo da população são: o desbaste de brotos, o desbaste de plantas adultas e a replantação. O desbaste de brotos serve para regular o número de filhos (brotos) por unidade produtiva. O desbaste de plantas adultas serve para eliminar as plantas que, por mau desbaste de brotos, cresceram em competição pela luz e com o desenvolvimento dessincronizado. A replantação serve para substituir as unidades de produção em falta. Uma prática bem-sucedida a utilizar, é a manutenção de uma população de 2 226 plantas por hectare. Com esta densidade são obtidas boas produtividades e boa qualidade de fruta.

A Rega

 

A disponibilidade de água é essencial para um correto desenvolvimento da planta e influencia grandemente a taxa de emissão de folhas. Nas plantações dominicanas, predominam os sistemas de rega por gravidade (alagamento), especialmente entre pequenos e médios produtores. Estima-se que uma boa parte das infeções com Sigatoka negra, em plantações localizadas nas áreas mais secas (com menos de 750 mm de precipitação média anual), ocorre devido à condensação de vapor de água nas folhas, favorecida pela rega por alagamento. Tal não acontece com os sistemas de rega gota-a-gota e microaspersão, que operam sem excesso de água, reduzindo a humidade em torno das folhas. Uma prática bem-sucedida a utilizar é a rega por microaspersão, que permite aumentar os rendimentos através do uso eficiente da água. Com este sistema, a rega pode ser feita durante 10 horas por semana, distribuída por dois ou três ciclos.

 

Figura 3: Sistema de rega gota-a-gota.

 

Figura 4: Sistema de rega por microaspersão.

A drenagem

Uma drenagem adequada é essencial para reduzir o excesso de humidade, favorável à doença. Para além disto, favorece o desenvolvimento do sistema radical e uma maior produtividade da planta. Uma prática bem-sucedida é a construção de um sistema de drenagem, constituído por drenos primários ou coletores, secundários e terciários. Os parâmetros a serem considerados para o projeto de uma rede de drenagem são: a profundidade dos drenos, espaçamento entre drenos e a secção das valas.

Nutrição / fertilização

  • Para um desenvolvimento equilibrado, vigoroso e elevada produtividade das bananeiras, é essencial uma nutrição equilibrada. Um plano deverá ser formulado com base nos seguintes parâmetros:
  • Análise de solos e folhas,
  • Extração de nutrientes pela planta,
  • Resultados da investigação na região produtora,
  • Densidade da população, e
  • Pluviometria, sistema de rega, perda de nutrientes por arrasto e lixiviação.

Para o modo de produção biológico, uma prática bem-sucedida é o uso de cerca 15 tons / ha por ano (distribuídos em quatro aplicações) de matéria orgânica, utilizando fontes como estrume, bocashi e compostos. É também recomendada a aplicação de 100 g de fertilizante mineral de uma origem natural permitida (sulfato de potássio), por planta e a cada quatro meses, e a aplicação foliar de quelatos orgânicos ou bioles, a cada dois meses.

Âmbito da aplicação das boas práticas

Estas boas práticas podem ser implementadas em qualquer área do país onde a banana é produzida de forma comercial ou para consumo local e onde apresente riscos de excesso de precipitação e de humidade relativa. Atualmente é aplicada no Cibao Central, (La Vega, Espaillat, Duarte, Hermanas Mirabal,) Mao e Montecristi, no Linha Noroeste e Azua. A percentagem de produtores que utilizam adequadamente esta prática é de 15% no Cibao Central, 25% na Linha Noroeste e 10% em Azua. Esta prática foi utilizada durante seis anos no Cibao Central, 12 anos na Linha Noroeste e quatro anos em Azua.

 

O controlo da Sigatoka negra pode atingir 27% do custo total de produção da cultura, que é, em média, de RD $ 10 000 por tarea (628,86 m2) de plantano e RD $ 15 000 por tarea de banana. Com a aplicação desta prática, conseguiu-se um controlo mais eficiente da Sigatoka negra, reduzindo as perdas em aproximadamente 50% no platano e 70% na banana (Figura 5).

 

Figura 5: Plantação com gestão integrada de Sigatoka negra.

This technology has been translated by Mr. Adriano Silva from Instituto Superior de Agronomia, University of Lisbon, Lisbon, Portugal.

Validação da prática

This technology contributes to the SDGs:

Países

Dominican Republic

Data de criação

qui, 15/02/2018 - 12:14

Fonte

Instituto Dominicano de Investigaciones Agropecuarias y Forestales (IDIAF)

El Instituto Dominicano de Investigaciones Agropecuarias y Forestales (IDIAF) es la institución estatal responsable de la ejecución de la política de investigación y validación agropecuaria y forestal de la República Dominicana. Fue creado como organismo descentralizado del Estado Dominicano, mediante la Ley 289 en 1985.

 El IDIAF tiene como objetivo principal dirigir y ejecutar la política de investigación científico - tecnológica del Sector Público Agropecuario y Forestal del país, que promueve el desarrollo del sector y la generación, adaptación y transferencia de tecnologías.

Para ello, el IDIAF cuenta con cuatro centros de investigación enfocados al mejoramiento genético, protección vegetal y pecuaria, fitotecnia, manejo de los recursos naturales, agua y suelo, entre otras áreas. Así mismo el IDIAF ofrece información actualizada sobre la agricultura dominicana a investigadores, técnicos y productores agropecuarios, estudiantes, así como al público en general, a través de sus centros de información y documentación distribuidos e interconectados en todo el país. 

El IDIAF desarrolla cuatro programas de investigación enfocados en la seguridad alimentaria, desarrollo rural, mercados y competitividad, Además brinda servicios de capacitación, consultoría, asistencia técnica especializada con el fin contribuir a elevar el nivel tecnológico de los productores agropecuarios y forestales, y de esta forma incrementar los niveles de producción y productividad de los rubros más importantes para el desarrollo económico y social del país.

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