Transplantação de sorgo e milho painço em regiões semiáridas

Sumário

Os principais desafios para os agricultores das zonas semiáridas e áridas, das regiões tropicais e subtropicais, são a reduzida segurança alimentar, a instabilidade da produção e o risco de perda de colheitas. Estes riscos estão associados ao maior constrangimento físico à produção agrícola nessas zonas, ou seja, à irregularidade e à imprevisibilidade da precipitação, resultando em escassez de água. Sob estas condições, há um risco considerável de perdas de colheita, germinação irregular e elevados custos em novas sementeiras. A transplantação, dentro deste sistema, foi uma solução que permitiu aos agricultores maximizar a estação de crescimento e minimizar o risco de perda de colheitas, germinação irregular e reduzir os custos do preenchimento de falhas. As colheitas precoces são importantes para os agricultores, uma vez que ajudam a compensar períodos de escassez alimentar. A transplantação de cultivares precoces promove a redução destes períodos, permitindo a antecipação da colheita em duas a três semanas e o aumento da produtividade (que geralmente duplica), em relação aos sistemas de sementeira direta, disponibilizando alimentos nos períodos de maior escassez e em que são mais caros no mercado.

Descrição

Os principais desafios para os agricultores das zonas semiáridas e áridas, das regiões tropicais e subtropicais, são a reduzida segurança alimentar, a instabilidade da produção e o risco de perda de colheitas. Estes riscos estão associados ao maior constrangimento físico à produção agrícola nessas zonas, ou seja, à irregularidade e à imprevisibilidade da precipitação, resultando em escassez de água.

Sob estas condições, há um risco considerável de perdas de colheita, germinação irregular e elevados custos em novas sementeiras. Se as chuvas falham ou terminam mais cedo, os agricultores podem ter que voltar a semear. Isto constitui um risco, uma vez que a estação pode não ser suficientemente longa para que a colheita atinja a maturidade, resultando na redução da colheita ou, até mesmo, na sua perda total. Este risco é agravado pelos recursos limitados dos agricultores e, mesmo que disponíveis, pelos constrangimentos no fornecimento de sementes. Foram iniciados alguns programas para o armazenamento de água, destinada à rega suplementar durante o período de maior crescimento da cultura. No entanto, o trabalho aqui descrito foi baseado na premissa de que a rega suplementar pode ser utilizada de forma mais eficiente no início da campanha, ao invés do seu final, na medida em que prolonga o período de crescimento em áreas onde este é originalmente curto.

O trabalho avaliou a viabilidade de aumentar a segurança alimentar através da transplantação de sorgo e milho-painço (também conhecidos por massambala e massango, em Angola, e por mapira e mexoeira, em moçambique), produzido em viveiro, para minimizar o risco de falhas na cultura ou sementeiras irregulares. Pretendeu-se assim a melhoria da produtividade em anos de chuvas tardias e disponibilizar uma medida de segurança em caso de chuvas irregulares. O conceito foi testado num sistema de clima árido e baixos fatores de produção, através da produção de mudas de sorgo e milho-paínço em viveiros, usando pequenas quantidades de água antes da estação húmida, e transplantando-as no início das chuvas. As mudas podem ser produzidas de duas formas: em pequenos viveiros regados, utilizando pequenos volumes de água (antes das chuvas), e transplantadas quando as chuvas já estiverem estabelecidas; ou em viveiros de sequeiro e transplantadas para campos providos de humidade residual, após o recuo dos lagos, reservatórios, lagoas ou rios sazonais.

Resultados

A transplantação, dentro deste sistema, foi uma opção prática que permitiu aos agricultores maximizar o período de crescimento e minimizar o risco de perdas de colheita, germinação irregular e elevados custos em novas sementeiras.

As colheitas precoces são importantes para os agricultores, uma vez que ajudam a compensar períodos de escassez alimentar. A transplantação de cultivares precoces promove a redução destes períodos, permitindo a antecipação da colheita em duas a três semanas e o aumento da produtividade (que geralmente duplica), em relação aos sistemas de sementeira direta, disponibilizando alimentos nos períodos de maior escassez e em que são mais caros no mercado. A produtividade das culturas tardias (incluindo as que são sensíveis ao fotoperíodo) é mais elevada devido ao estabelecimento melhorado, aumento do vigor e da capacidade de resistir à infestação de Striga.

As mulheres camponesas mostraram particular interesse na transplantação do sorgo e do milho-painço, uma vez que a alimentação da família é, em grande medida, da sua responsabilidade. Na sua opinião, poder fazer a colheita, mesmo dois dias antes do previsto, faz a diferença. Ser capaz de fazê-lo duas a três semanas antes é um grande avanço para as suas condições de vida. Apesar do foco inicial ser a segurança alimentar e a redução do risco, para os agricultores de subsistência em regiões com clima semiárido (onde a escassez de água é o constrangimento mais importante em termos de produção), fica claro que a transplantação tem uma aplicação mais ampla no contexto das alterações climáticas. Apesar dos esforços para obter variedades adaptadas à seca ou a outros stresses abióticos, a não previsibilidade do início das chuvas continua a ser o principal constrangimento, tanto para os agricultores mais pobres como para os mais ricos. A rega tem um preço e a transplantação é um meio de conservar a água e de gerir a imprevisibilidade a todos os níveis. A técnica também teve a vantagem de ter sido adaptada, com sucesso, de práticas indígenas existentes e ajustada às necessidades dos mais pobres de entre os pobres. Qualquer melhoria das suas condições de vida contribuirá para a sustentabilidade ambiental.

Pré-requisitos para o sucesso

Uma fonte permanente e fiável de água deve estar disponível para os viveiros e convenientemente localizada para a rega. Os agricultores cultivam normalmente ou sorgo ou milho-painço ou ambos. Trata-se de uma técnica para ser utilizada pelos atuais produtores de sorgo e milho-painço, não devendo ser considerada como um pacote para introduzir o sorgo e o milho-painço em novas áreas. A precipitação deve ser baixa e de distribuição irregular. Não há muito a ganhar com este tipo de transplantação, de baixos fatores de produção, em áreas de alto potencial, a não ser que o objetivo seja a consociação de culturas. Deverá existir mão-de-obra disponível para a transplantação das mudas nos campos. Deverão ser construídos diversos viveiros de modo a garantir o suprimento de mudas, na idade certa e quando as chuvas forem suficientes para a transplantação. As mudas deverão ser transplantadas com 10-20 dias de idade (ótimo aos 20 dias), para o milho-painço precoce, e com 20-40 dias de idade (ótimo aos 30-40 dias), para as variedades tardias.

Disseminação usando o efeito cascata

Utilizou-se um método de disseminação de conhecimentos focado nos agricultores e com efeito cascata, baseado nas experiências de adaptação de uma tecnologia genérica às condições locais. O método consiste em quatro etapas, que podem ser visualizadas como anéis concêntricos que vão alargando à medida que se afastam da Etapa 1, no centro.

Na Etapa 1, estabelecer duas áreas operacionais em cada um de dois distritos de uma região, para verificar se a técnica é uma opção viável para os agricultores dessa região.

Na Etapa 2, consolidar os resultados da Etapa 1 e expandir a técnica através de uma fase experimental para todas as áreas operacionais, ao nível dos mesmos dois distritos dessa região.

No Estágio 3, consolidar os resultados da Etapa 2 e expandir a técnica através de uma fase experimental para mais distritos da mesma região. Incorporar a técnica nos dois primeiros distritos através de atividades de extensão.

Na Etapa 4, consolidar os resultados da Etapa 3 e expandir a técnica para todas as áreas operacionais em todos os distritos da região. Incorporar a técnica no serviço de extensão regional.

A transplantação tem um impacto direto ao nível dos agricultores mais pobres (80% dos agricultores, que realizaram os ensaios em cada um dos três distritos do Gana, tiveram maior produtividade ao nível da cultura transplantada e, em muitos casos, a produtividade duplicou) e tem um enorme potencial em termos de benefícios adicionais demonstráveis. É de grande importância, que a transplantação de sorgo e milho-painço continue a ser uma intervenção prioritária, apesar das mudanças no foco dos programas de apoio.

Contactos da equipa de investigadores do projeto da DFID

http://www.fao.org/docs/eims/upload/agrotech/1901/PSP0057%20Contacts%20Table.pdf

Provas de validação

http://www.fao.org/docs/eims/upload/agrotech/1901/EvidenceofValidationPSP057.pdf

Anexo: Transplanting sorghum and millet as a means of increasing food security in semi-arid low-income countries(R7341)

http://teca.fao.org/sites/default/files/technology_files/r7341Pt1.pdf

Segurança e saúde

Os investigadores, suas instituições ou esta plataforma não podem ser responsabilizados por quaisquer danos resultantes do uso dos materiais ou métodos aqui descritos. A aplicação ou uso de tratamentos, processos e tecnologias é da exclusiva responsabilidade do utilizador.

Aviso legal - DFID

Esta tecnologia é um produto da estratégia da Renewable Natural Resources Research, financiada pelo Department for International Development (DFID) do Reino Unido, para benefício de países em desenvolvimento. As opiniões expressas não são necessariamente as do DFID.

Agradecimentos

A tecnologia foi selecionada e os registros compilados pela Natural Resources International Ltd, a partir da documentação original do projeto e financiada pelo Department for International Development DFID (Comunicações). A implementação e aconselhamento sobre este processo foram da responsabilidade de: Karen Wilkin e Tina Rowland (líderes conjuntos do projetos), Andy Frost, Vino Graffham, Jody Sunley, Liz McVeigh, funcionários do programa RNRRS, Serviço de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da FAO, Programa LEAD da FAO, Departamento Central de Pesquisas do DFID , Ken Campbell, Graham Farrell (Clínica de plantas), Simon Eden-Green, Peter Golob, John Esser, Liz Betser (360˚ Responsibility). O domínio da validação revisto pelo Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement (CIRAD), Simon Eden-Green e Peter Golob. Enviando por Random X Solutions Ltd. Para mais informações, contatar Karen Wilkin, NR International Ltd ou Tina Rowland, Random X Solutions Ltd.

This technology has been translated by Mr. Adriano Silva from Instituto Superior de Agronomia, University of Lisbon, Lisbon, Portugal.

 
 

Validação da prática

This technology contributes to the SDGs:

SDG

Further reading

YOUNG, E.M. and MOTTRAM, A. (2003b) Transplanting sorghum and millet - a key to risk management. CAZS Natural Resources, University of Wales, UK. 7pp.

Categoria

Países

Ghana
Zimbabwe

Data de criação

seg, 05/02/2018 - 10:41

Fonte

UK Department For International Development (DFID)

The Department for International Development (DFID) of the United Kingdom of Britain leads the UK’s work to end extreme poverty. 

DFID works to end the need for aid by creating jobs, to unlock the potential of girls and women and to help to save lives when humanitarian emergencies hit.

DFID also works for helping to prevent climate change and encouraging adaptation and low-carbon growth in developing countries.